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Blog Bestialmente Conhecido

TOP de cenas que encontro sempre nos bolsos dos meus casacos

Decidi hoje pegar num tema fraturante da sociedade em particular e da minha pessoa no geral com especial enfoque nos meu casacos (respira que esta foi à Saramago, nem ponta de virgula).

Desta feita, após dizer um agrupamento simpático de obscenidades depois mandar as mãos aos bolsos, decidi identificar o TOP de cenas nhec que mantenho nos espaços de arrumação têxtil que são colocados à minha disposição.

 

Sem mais delongas....

 

(tambores)

 

1. Lenços de papel

Usados, novos, reutilizados. Um nojo, eu sei. Mas é verdade. Se houver mais casos estou a pensar criar os Lenços de papel reutilizados anónimos, porque nunca se sabe quando é que uma pessoa não fica com gripe por conta de uma bactéria antiga, o que vale é que uma vez com ela (a gripe) a ‘ssoa fica com uma espécie de antivírus. Perceberam, antivírus. Bué erudito…adiante.

 

2. Papeis de conta

Faturas, talões de troca, uns novos, outros já sem cor. Dei conta que tinha agora a fatura, que também é garantia da torradeira velha que pifou no inverno passado. Deu um jeitaço agora. Ah, e talões de saldo MB, daqueles que se tiram só a partir de dia 15, que é quando uma pessoa ainda tem mês mas já mal tem guito.

 

3. Sacos de apanhar cocós de cães

Eles têm de ir à rua. Os cães. Os sacos que sobram ficam nos bolsos. Se servissem para apanhar a merda que ouço às vezes, ui, não me chegavam 3 rolos. Basta ir para a fila do supermercado.

 

4. Migalhas

Pilhas de migalhas. De bolachas. De pão. De biscoitos. You name it. Em resumo, restos da comida do filho (uma pessoa quando tem filhos pequenos pode sempre botar as culpas na criança, tudo é por conta da criança). O mal das cabras das migalhas é que uma pessoa mete a mão ao bolso, assim à cunfia, e odespois fica com as putas das migalhas debaixo das unhas e aquilo faz uma impressão do catano. Até se me arrepio toda caraças!

 

5. Carrinhos

Sim. Carrinhos. Por conta da pessoa ser mãe. Só.

 

(quando era nova, solteira, sem filhos e sem contas para pagar, lá descobria de quando em vez uma notita de 5 paus, mas isso já só são memórias do passado, muamuamua )

 

E por esse mar de gente conversadora afora, há gente que sofre destes malefícios? Hummmm?

 

 

Gostaram deste post? Favoritem!  Têm coisas para dizer? Comentem!  Acham que era giro para outros lerem? Partilhem! 

 

Quero. A. Minha. Cama.

Um feriado para celebrar a liberdade.

Um dia de férias para uma pessoa upa! chegar ao fim de semana embebido do espírito livre.

Um sábado que é bem porreiro.

Um domingo que também não é pior.

Um dia de férias para trabalhar o corpo e moldar melhor a mente para o dia do trabalhador.

Um feriado para comemorar o dia de ser uma coisa não a fazendo.

E hoje levantei-me com uma vontade (assim !) geral do tamanho de uma semente de chia.

E se chia caraças! São as articulações todas.

Ser pobre é uma moderfoquer duma pain no ass pá! Que é como quem diz é uma filha da mãe de uma dor nos glúteos e reto pá!

 

give up.gif

 

 

Nada é como no cinema

Decidimos ficar pelas redondezas de casa. Em vez de pegar no carro e ir passear longe de casa - como é hábito - decidimos dar um passeio perto de casa. Calçamos ténis confortáveis, pusemos o indispensável nas mochilas e saímos confiantes. Poderia parecer que íamos escalar o Monte Everest, dado que até levávamos mantimentos. Mas íamos só à nossa pastelaria favorita.

A grande diferença é que normalmente vamos de carro e hoje fomos a pé.

Sensivelmente 900 metros para cada lado.

 

O sonho

Íamos caminhar lado a lado. As casas iam parecer tão encantadas que quase combinavam em cores, aos nossos olhos. Conversávamos sobre tudo e nada. Riamos com as piadas de sôtor. Quase parecia que havíamos de dar connosco com calças caqui e um pullover amarelo aos ombros, saídos e uma caixa de bonecos.

 

A realidade.

Assim que começámos caminho sôtor sai-se com a pergunta "quem mora aqui?" e eu respondi "pessoas" ou "vizinhos". Fez a mesma pergunta para todas as casas em que passamos. Sendo que foram 900 metros de ida, dá para imaginar que foram 2 ou 3 casas.

Chegamos à pastelaria e quis logo ir para o parque. Enquanto comemos esteve sempre a despachar-nos. Excetuando aquela parte em que decidiu fazer em farelos o suspiro que lhe comprei.

Fomos ao parque.

Divertiu-se.

Não tanto quando tivemos de vir embora.

 

Fizemo-nos ao caminho de regresso. 

Tenho a dizer que tudo poderia ser mais encantado se neste país os passeios tivessem uma largura decente, para deixar caminhar confortavelmente uma loucura de 2 pessoas. Não sei como fazem pessoas com carrinhos de bebé, mas decerto que passam a vida num aperto, e nem vamos falar das pessoas com dificuldade motora. Deve ser uma brisa.

 

Chegamos ao jardim ao pé da nossa casa, que é enorme e tem um palco montado a meio. Ao fim de semana há atividades e de manhã há aulas de ginástica, pelo que o palco fica montado o ano todo.

Como choveu havia poças de água. Muitas.

Estava tranquilo a brincar quando apareceu outro miúdo que o desafiou para irem brincar para o palco. Ele foi. Começaram a brincadeira de saltar nas poças de água. O Nuno ia ralhar e eu, perdida num qualquer sonho cinematográfico vi aquele momento em câmara lenta, senti-me mais tolerante que a minha mãe e disse para o deixar estar, só se é criança uma vez. Aquele tipo de frases que só se diz quando não se têm filhos ou quando eles já cresceram que chegue para nos esquecermos.

 

O sonho

Ele saltou. Riu. Encharcou-se. Divertiu-se. Rio perdido. Eu vi-o saltar e sorrir em câmara lenta. Gravei os momentos mágicos na minha mente. Senti que a alegria são aqueles segundos. Devemos poder ser crianças. Saltar nas poças.

Ia ficar tão feliz por saber que eu o deixo fazer coisas que a avó não deixaria que, quando lhe dissesse para ir embora nem faria birras.

 

A realidade

De tanto saltar nas poças ficou com os ténis encharcados e as meias também. Eu dei-lhe a abébia para saltar, molhando só os pés e em menos de nada já ele estava a espetar lá com o carrinho e eu a dizer "vou contar até 3, metes aí o carro outra vez vamos embora, toutávizar!".

Saiu dali para ir andar no "comboio" que fica numa caixa de areia. Ao fim de nada já tinha os pés que pareciam 2 croquetes. E eu pensei que se calhasse a andar a saltar nas poças a minha mãe me dava era uma lamparina, porque ficar com os sapatos de berloques cheios de areia era um delito muito grave, 15 pontos a menos da carta de criança. 

Dali foi para o escorrega, os sapatos faziam shuac-shuac a andar e o puto que vinha atrás começou a cuspir terra, porque este enquanto subia largava rastos de pó atrás de si.

Quando dissemos que vínhamos embora começou a mandar vir e, quando percebeu que não valia a pena a fita, resolver moer-me a cabeça até à exaustão.

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

"Mãe dá-me uma goma!"

"Po favô, dá-me uma goma!"

"Mããããããeeeee dá-me uma gominha!"

 

E foi assim até eu ir comprar farinha e o pai seguir com ele para casa.

 

A realidade NUUUUNNNNCA é como nos filmes. NUUUUNNNNCA. Por isso é que se chamam filmes.

 

O gajo que inventou o conceito dos terrible 2 deve ter deixado a mulher e o filho nessa altura...para achar que os 2 é que são difíceis...arre, 2 voltem, estão perdoados!

 

 

Nunca o apanharemos a escavar bosta de pónei

Tirámos o dia de férias. Acordámos devagar. Cocegas. Sem pressa. Leite. Penico. Decisões stressantes do que fazer com o tempo quando não há compromissos. Ahhh, o desgaste.

Eu tive de resolver umas coisas de trabalho. Fechei a porta do escritório e dei ao dedo. Vantagens de poder trabalhar à distância (ainda que seja dia de férias, muamuamua).

Vestimos roupa de fim de semana. E ala que se faz tarde.

Destino: Colombo.

Sôtor anda há semanas a pedir para ir ao shopping que fica ao pé do trabalho da mãe. Andou em todos os bonecos de moeda, mas só o da Porquinha Pepa é que levou moeda. Se eu der 1€ cada vez que ele pede já não tenho ordenado ao dia 2 de cada mês.

Vamos ao Continente, investiga a secção de brinquedos e ganha mais um Super Wings.

Partida: Colombo

Destino: Jardim Zoológico

Objetivo: andar de metro

Viu um episódio do Ruca a andar de Metro e anda há mais de 2 meses a pedir para andar de Metro. Já estava pensado para estas mini-férias. Andámos 3 estações e ele estava radiante. Eu estive a mentir o tempo todo. Detesto andar de Metro, não fui feita para estar debaixo do chão e sufoca-me fazer de conta que sou toupeira. Mas engoli os meus medos e disse-lhe que era tudo espetacular. Afinal de contas não quero que o miúdo cresça um choninhas como eu.

Chegamos ao Jardim Zoológico. Tinham dado mau tempo e então o objetivo não era propriamente ir AO Jardim Zoológico. Era mais para iniciar a criança em maus caminhos, coisas que mães do demo fazem.

Fomos almoçar ao Mcdonalds.

Pela primeira vez a criança foi a um Mcdonalds.

Não gosta de hambúrgueres no pão. Bebeu um gole de coca-cola e parecia que tinha engolido fogo. Água, água. Pedia ele. Comeu douradinhos que desta vez, na loucura, foram comidos fritos pela primeira vez. Até aqui só comeu os ditos feitos no forno.

Viu macacos. Viu crocodilos. Viu excursões de crianças.

Pediu para voltar a andar de Metro.

Disse mil vezes que era a coisa mais divertida do dia.

De volta ao Colombo, foi à secção de brincadeira. Saltou. Pulou. E andou lá numa piscina de bolas estranha, onde bateu 3 vezes com a cabeça. Eu, depois de o ver quase a rachar a tola 3 vezes passei a seguir-lhe os passos como um falcão e a ditar coordenadas cá de fora. Estilo treinador de bancada, mas com os verbos bem conjugados. Não é difícil que toda a gente me fique a achar uma mãe neurótica. Mas estava à beira do enfarte do miocárdio cada vez que via aquela tola aproximar-se da parede baixa.

Voltámos para casa. De caminho adormeceu.

Acordou da sesta.

Fomos comer o Sundae de caramelo que me ficou a faltar. Ele não quis. Não gosta de gelados.

Seguimos para a quinta das bolas (também conhecido por parque de diversões). Era a única criança. Brincámos com ele. Deu um jeito ao pé e não quis brincar mais.

É resistente. Pediu para ir ver brinquedos novamente. Fomos. Meio coxo insiste que não tem nada.

Quando mexemos não doí. Consegue andar. Se correr a coisa fica pior. Estamos de sobreaviso, se não melhorar, doutor connosco. Pergutamos-lhe. Não me doí nada! Diz o que for para que não tenha de parar a diversão.

No carro, a caminho de casa o pai perguntou-lhe se tinha gostado do dia.

Resposta: Não, não gostei.

E eu digo-lhe meio indignada: Nem de andar de Metro?!

Resposta: Também não gostei.

Lição que eu aprendi: este a gente nunca o vai ver a escavar bosta de pónei. Disso podemos ter a certeza!

 

Contexto:

No livro "O Deus das Pequenas Coisas" há uma história que me ficou muito presente. Havia um homem com 2 filhos gémeos. Um filho era extremamente otimista, via sempre o lado bom das coisas. Outros era extremamente pessimista, via sempre um qualquer defeito em qualquer coisa. No dia do décimo aniversário dos miúdos o pai decidiu coloca-los à prova. No quarto do filho pessimista colocou os melhores brinquedos. E mandou encher de estrume o quarto do filho otimista.

De manhã bateu à porta do quarto do filho pessimista:

- Então filho, gostaste das tuas prendas?

- Nem por isso. Não eram bem o que eu queria.

E prosseguiu para encontrar mil defeitos.

De seguida o pai bateu à porta do quarto do filho otimista. Quando abriu viu o filho a escavar fervorosamente o estrume que estava no chão:

- Olá filho, o que estás a fazer?

- A escavar.

- Para quê filho?

- Então pai, com tanta merda tem que haver um pónei.

 

Então a ver?

 

Rico filho de sua mãe.

 

Um acordo tão simples

No domingo combinei com ele. O rapaz dos acordos. Vou buscar-te quando sair do trabalho e vamos juntos ao continente ver os brinquedos.

Gosta genuinamente de ir ao Continente ver a secção de brinquedos. Faz perguntas, quer saber as diferenças entre o que faz uma coisa e a outra. Inventa histórias para os bonecos que não tem e diz que um dia vai comprar este e aquele, enfim, todos.

Não faz birras por não trazer brinquedos, não finca pé e fica tão contente com um carrinho de 1 € como com uma miniatura da Patrulha Pata.

Foi uma coisa que aconteceu de forma gradual, às vezes vamos com ele à Toys ur Us ver brinquedos, muitas vezes durante a semana vai com o avô ao Continente comprar alguma coisa para o almoço ou só ver as modas. É uma forma de dar um passeio perto de casa e de não ficar fechado em casa quando está mau tempo.

O que é facto é que, como está habituado a ir às grandes superfícies, a ver os brinquedos e a sair de lá de mãos a abanar, não faz finca pé de nada e não há lugar a birras, o pior que já aconteceu foi ele querer continuar a “ver” um brinquedo, que é o mesmo que dizer, a brincar com os bonecos de exposição, e nós termos de nos ir embora.

 

Combinei com ele. Fiz um acordo. Era domingo, fomos fazer as compras, fomos brincar ao jardim e tínhamos de ir para casa. Havia tarefas para concluir porque a semana de trabalho estava à porta.

Aceitou o acordo.

 

Ontem não consegui sair a horas. Fiquei retida para tratar de uma questão que chegou mesmo em cima da minha hora de saída. Quando cheguei ao carro o Nuno disse-me que tínhamos de ir pela Vasco da Gama, o dobro dos quilómetros. Quando há acidente em cima da Ponte 25 de Abril o tempo de chegada a casa é indeterminável.

 

Conseguimos chegar ainda era de dia, o jardim perto de casa estava mesmo como eu gosto, repleto de crianças a brincar, os mais pequenos com os pais ou os avós, pessoas a correr, a secção de exercício cheia, donas de casa reformadas a apanhar banhos de sol, a esplanada do café cheia de gente que aproveitou um bom fim de tarde para beber uma cervejinha ou um sumo ao ar livre.

 

No meio do jardim lá estavam, a fazer preparativos para rumar a casa: Sôtor, a avó, o avô e o Boris (o cão ultra esgrouviado).

 

O Nuno parou o carro do outro lado do jardim, eu saí e ele foi para casa fazer o jantar.

 

Quando o chamei nem pareceu reconhecer-me. Foi uma alegria tão grande que parece que susteve a respiração por 2 segundos.

 

- Mãe, nem parecias tu com os óculos na cara!

 

Um abraço do tamanho do mundo. Sentido.

 

- O que é que a mãe te prometeu ontem?

- Que íamos ao Tinente.

- Então vamos.

 

E fomos. Os avós seguiram para casa. E nós fomos pelo jardim.

 

Estava tão feliz que parecia que tinha ganho o Euromilhões. É fantástico como as crianças ficam completas com tão pouco. Quando é que perdemos isto? Quando é que, na nossa cabeça, a vida nunca chega, é sempre preciso mais, mais e mais?

 

Conversou, contou o dia, disse-me que tinha emprestado um brinquedo a um menino que estava a chorar e que o menino se tinha acalmado por isso.

 

De vez em quando suspirava, um inspirar fundo de quem controla a excitação.

 

Fomos a pé ao Continente. Vimos os brinquedos. Comprámos pequeno almoço para o dia seguinte. Comentámos tudo o que havia. Ganhou um bolo de arroz (do qual comeu menos de um terço). Conversámos de regresso.

Encontrámos a Camila e cumprimentámos a vizinhança.

 

Passou todo o serão mais calmo. Mais satisfeito. Como se tivesse recebido a dose de atenção que precisava para estar tranquilo.

 

Eu fui deixando para trás o dia desgastante que tive. O mau humor foi dando lugar aos risos a cada história que ele me contava. Dei por mim sem me aperceber das horas.

 

Chegámos a tempo de jantar.

 

Hoje de manhã acordou satisfeito. Perguntou se ia para os avós ou ficava em casa. Chorou porque ia para os avós. Tratam-no como um príncipe, mas o colo da mãe e do pai são o colo da mãe e do pai.

 

Fizemos um acordo. Vou fazer de um tudo para o ir buscar outra vez. Para irmos ao Continente ver os brinquedos.

 

Porque o Continente pouco importa, os brinquedos de pouco contam. É o tempo que passamos juntos, sem pensar em mais nada. É isso que ele mais quer. E é isso que mais me encanta.

 

Yoga para desobstruir a mente

Em 2012 e 2013 passei por momentos muito complicados. Os meus níveis de stress estiveram ao rubro e a minha cabeça começou a dar sinal de cansaço e de entrega a um sistema nervoso em frangalhos.

Tinha de encontrar uma solução.

Lembrei-me que podia ser uma boa ideia ter aulas de yoga, tinha lido bastante sobre a meditação no livro “Comer, orar e amar” que me pareceu que, apesar de toda a componente romantizada da coisa, poderia resultar. Começou a minha busca. Queria yoga para a mente, essencialmente para a mente, para relaxar, para aprender a tirar a cabeça do ciclo vicioso e depressivo dos problemas (não, não estive em depressão, mas quando temos a cabeça sempre enfiada nos problemas, como a avestruz tem a cabeça na terra, é frequente que fiquemos mais tristes, mais cabisbaixos, com mais dificuldade em ver a imagem num todo e consequentemente a conseguir encontrar soluções.) Quando fico assim a ansiedade parece consumir-me e esse estado agitado impede-me de pensar com clareza, é como se fosse uma espécie de ancora ao pensamento.

Tive alguma dificuldade a encontrar as aulas que queria. Muitos espaços que oferecem aulas de yoga oferecem a componente física, os benefícios para tonificar o corpo. A mente não está assim muito envolvida. O ambiente não é o ideal, prova disso são as salas com luzes fortes e barulhos ensurdecedores de aulas de spinning. É impossível relaxar a mente.

Encontrei a Federação Portuguesa de Yoga. Muitos espaços em Lisboa para ter aulas, mas eu precisava de uma coisa perto de casa, de relaxar e depois seguir para o refastelamento do lar sem passar por 30 quilómetros de trânsito.

Foi aí, e depois de muito procurar, que encontrei a minha professora de yoga. Formada pela Federação Portuguesa de Yoga, dá aulas num espaço cedido, organizado pela própria, mas, ainda não conseguiu financeiramente ter a disponibilidade para abrir um espaço seu.

Mandei-lhe um e-mail, queria aulas duas vezes por semana. Havia vaga para uma vez por semana. Agarrei o que havia.

 

Comecei a fazer yoga 1 vez por semana às quintas-feiras.

 

Ao fim de pouco mais de 1 mês já estava a sentir-me melhor. Os meus problemas não tinham desaparecido, mas eu tinha 1 hora por semana num espaço onde tinha de obrigar a minha cabeça a não pensar neles. No yoga aprendi estratégias para desviar a atenção da minha cabeça para outras coisas em vez de estar focada nos problemas, como um cão danado atrás de um gato que já subiu à árvore e agora lambe as patas, sorri, snob, com ar de quem pergunta “e agora como é que fazes meu?!”.

Quando fico ansiosa fico assim, o problema é o gato, já subiu à árvore e eu estou cá em baixo, a ladrar-lhe, a oferecer-lhe umas dentadas, mas, como só ladro e olho para ele, não paro para pensar que preciso de uma estratégia para o resolver. Quero-o cá em baixo e isso não vai acontecer com essa facilidade.

 

Tenho muitos defeitos e um deles talvez seja não ser capaz de desistir. Sou uma espécie de Muhammad Ali para a vida. As luvas sempre postas e os punhos erguidos. Posso já ter caído mil vezes. Posso estar a ver tudo a andar à roda. Posso estar a cambalear e incerta de onde está o meu adversário. Mas eu não baixo os punhos e eu continuo em pé, pronta para mais uma ronda, mesmo que seja agarrada às cordas.

 

Deixei o yoga quando fiquei grávida. Andava tremendamente cansada e não aguentava, depois de um dia de trabalho ainda ter aulas do que quer que fosse. O tempo tem passado e eu nunca mais voltei a fazer uma aula que fosse. Penso nisso e adio, constantemente.

 

Nos últimos dias tenho pensado muito no yoga e no quanto me fez bem. Tenho pensado nas saudades que tenho daquela sensação de leveza.

 

Decidi que tenho de voltar, mas antes disso tenho de impor alguma organização no meu dia a dia. Refazer agendas e reestruturar horários. Preciso de rotinas organizadas para me sentir mais calma.

 

Maio vai servir para isso e junho volto às asanas, a ver se entro nos 35 com o pé certo.

 

O acordo

Tudo é uma negociação na vida de Sôtor.

Arriscaria a dizer que há verdadeiros homens de negócios que não fecham tantos acordos como esta pequena peste de 3 anos.

 

Para almoçar: sai acordo.

Para jantar: sai acordo.

Para ir à quinta das bolas: sai acordo.

 

Acordo para trás e acordo para a frente, lá vamos explicando ao rapaz que se tiver bons comportamentos as coisas que gosta têm maior probabilidade de acontecer.

 

Sim, eu sei que a vida se encarregará de lhe provar que não é bem assim, que nos podemos comportar como os maiores anjos e andar sempre a levar pancada da direita e da esquerda. Mas…o trabalho dos pais é mesmo este, fazer com que os filhos tenham princípios e sejam pessoas de caracter, que percebam que deve ser assim porque é a coisa certa a fazer, mas, até que tenha idade para compreender o conceito de forma mais complexa, é importante que apreenda que as coisas certas têm um resultado positivo.

 

Na terça feira não apanhámos muito transito e consegui chegar a casa a tempo de fazer um programa de 20 minutos da elíptica. Como ainda dava tempo tomei um banho à Quercus (dentro do espectro dos 5 minutos) e vesti uma roupa de andar por casa para o ir buscar ao caminho. O avô vinha do jardim direto para nossa casa com o piqueno artista.

Despacharam-se mais depressa e eu ainda estava de toalha na cabeça quando tocaram à campainha.

 

Para remediar a coisa, e porque precisava de lhe comprar o anti-histamínico que me passou na ideia à hora de almoço, perguntei-lhe se queria vir comigo ao Continente comprar as gotas.

 

Passeio? Alguém falou em laréu?

 

Para esta criatura qualquer motivo é um bom motivo para sair de casa.

 

Disse-me:

- Queo. Vamos vê os binquedos e depois vamos compá a comida.

 

Fui secar o cabelo e ele foi ter com o pai à cozinha. Ouvi-o dixer ao pai.

- Temos um acodo. Eu e a mãe. Pimeiro vemos os binquedos e depois compamos a comida. Temos um acodo.

 

E eu:

- Temos sim senhor!

 

Quando descemos encontrámos o avô outra vez, vinha a caminho da nossa casa porque lhe faltou trazer algumas coisas da criatura maravilha.

 

O avô pergunta onde ele vai e Sôtor…

 

Sôtor - Vamos ao tinente. Temos um acodo!

Avô – Aí sim! E que acordo é esse?

Sôtor – Amanhã conto, hoje nã poxo! Adeus avô!

 

E assim ficou. Tinha um acordo, da espécie secreto e o avô apenas podia saber no dia seguinte, não podia perder tempo.

 

Fomos até ao continente a falar. Ele fala ainda mais do que eu, o rapaz tem sempre conversa. É uma delicia. Fomos com tempo. Conversámos sobre os nossos dias, vimos os bonecos, comprámos o medicamento, voltámos com o ritmo dele, mais tranquilo que o meu, que passa o dia a toque de caixa. Eu deixei-me levar pelo compasso daquela coisa pequenina que segurava pela ponta da mão. Só o ouvia a ele, o dia estava ameno e aqueles 30 minutos lentos souberam melhor que mil horas.

 

São fins de dia que valem a pena e que dão algum brilho ao cinzento que ficou para trás.

 

E se eu o for levar à faculdade?

Assustam-me todas as coisas do Universo quando toca a Sôtor meu rico filho. Diria que até a espessura do chão que ele pisa me causa alguma preocupação. Se cai, se bate com a cabeça, se se arranha, se se magoa, se anda à bulha, se bate em alguém, se alguém lhe bate, as pessoas más do mundo, as noticias que deixei de ler porque me tiravam o sono, a independência dele, o dia em que vai para a escola, o dia em que mude de escola, o primeiro amor, a mulher que lhe parte o coração, o curso que escolha, ou se não escolhe curso, se tem bons professores, ou maus, se cai de bicicleta, se vai nadar para alto mar, se lhe batem no carro, se conduz muito depressa….

 

Tudo, literalmente tudo o que se possa imaginar. Seja mais premente, seja num futuro que está demasiado longe.

 

É idiota bem sei, mas é assim que a minha cabeça funciona.

 

Hoje de manhã a caminho do trabalho falávamos de uma colega que estava em casa porque terá comido umas ameijoas estragadas.

 

Nuno – Vamos lá a ver se ela hoje já está melhor. Não se brinca com intoxicações alimentares com marisco!

 

Eu – Sim, é bom que tenha juízo, porque isso não se resolve com cházinho!

 

(ontem o Nuno mandou-lhe uma mensagem a perguntar se estava melhor e se já tinha ido ao médico, respondeu que o filho estava a chegar e que lhe ia fazer um chá.)

 

Parei um bocado a pensar nas minhas coisas…

 

Eu – Olha lá, que idade tem o M.? Já vai sozinho da escola para casa? (o horror espelhado no meu semblante!!!!!)

 

Nuno – Deve ter uns 17 anos e creio que sim, estavas à espera de quê?

 

Eu – Não estou preparada que Sôtor faça essas viagens sozinho com essa idade. Vou continuar a ir leva-lo à escola e a ir busca-lo…

 

Parei para pensar….

 

Eu – Achas que era muito estranho que eu o levasse e o fosse buscar já na faculdade?

 

(estranhamente esta era uma pergunta verdadeira)

 

Nuno – Não! E se o levares ao trabalho e o fores buscar à saída também não! Ó mulher tem mazé juízo!

 

(ninguém me entende…)

 

Todos para a mesa!

Cresci numa casa cheia. Pai, mãe e 4 filhos. A minha mãe era a responsável por fazer as refeições rotineiras. O meu pai o homem dos petiscos. Mariscadas e caracoladas sempre foram com ele, a minha mãe não podia sequer chegar perto dos tachos. Ele é que percebia da poda. Aliás ele é que percebe. Ainda hoje, bons caracóis fazem-se lá em casa. Uma salada de búzios com o tempero perfeito é ele que a consegue.

 

Mas a rotina era papel da mãe. O meu pai trabalhava fora, passava os dias em Lisboa e regressava ao final do dia. A minha mãe trabalhava a partir de casa.

 

Chegava a hora de orientar as coisas para o jantar e lá ela largava a máquina de costura e ia para a cozinha. Os filhos ajudavam com algumas coisas. Punham a mesa e lavavam a loiça depois de jantar.

 

Quando a comida estava pronta ouvíamos o “chamamento”: Todos para a mesa!

 

Uns estavam na sala a ver TV, outros estavam no quarto, outros andavam a cirandar. Cada um nas suas coisas. A chamada para jantar era o corrupio para que se lavassem as mãos e todos se sentassem na mesma ordem na mesa da sala que, com tanta cabeça para jantar, era pequena.

 

Quando a minha mãe faleceu estas organizações foram dando lugar à logística individual de cada um. De quando em vez jantávamos todos juntos, mas era mais escasso.

 

Aos poucos a chamada para a janta, a azáfama da refeição em família, saiu do meu léxico de vida.

 

 

Pequeno sôtor começou a fazer refeições mais compostas pouco depois de completar o ano. Gradualmente o peixe e a carne que estavam na sopa foram saindo para um prato próprio e dando lugar a uma refeição composta por sopa e prato principal.

A preocupação central era que ele se habitua-se a comer 2 pratos e que fizesse refeições compostas, que ficasse alimentado convenientemente, nas horas certas e não para depois andar a penicar pão e queijo todo o dia porque ficava com fome.

 

Até à sexta feira passada o processo era sempre igual. Jantar de sôtor uma prioridade, um de nós tratava dessa tarefa, ele jantava antes de nós e, depois de garantido que ele tinha feito a refeição como deve de ser sentávamo-nos nós a comer.

 

Esta logística demorava mais tempo e fazia com que nós acabássemos muitas vezes de jantar já em cima das 22 horas.

 

Andámos a organizarmo-nos, a pensar refeições mais práticas e estruturar o nosso final de dia. Para pessoas que têm horários exatamente iguais, que não têm ninguém que lhes adiante nada em casa e que não conseguem estar despachados do dia de trabalho, em casa, e dedicados à vida de família antes das 19 horas, é preciso uma certa dose de organização.

 

Atingimos esse patamar e, em resultado disso, este fim de semana fizemos a primeira investida: todos a jantar à mesma hora. Em família, os três à mesa.

O pequeno empolgado, de garfo na mão:

- Mãe, o pai diz que comemos todos ao mesmo tempo!

 

Tem corrido lindamente! Melhor do que quando ele janta sozinho! Para meu grande espanto, está claro!

 

Come com vontade, participa ainda mais na própria refeição, tem curiosidade pelo que está no nosso prato e conversa, como se fosse um “quexido”, presenteando-nos com as suas histórias inventadas onde os personagens são os avós, a mãe e o pai, os cães, os bonecos da Patrulha Pata, os aviões dos Super Wings, o Ruca, os amigos do Ruca e os brinquedos de Sôtor. Todos convergem em histórias originais e fantásticas para uma criatura de 3 anos.

 

No inicio desta “viagem” chamada maternidade preocupava-me muito com os tempos, quando era tempo de fazer isto, quando era tempo de fazer aquilo. A determinada altura, e depois de falar com o pediatra, encaixei na minha cabeça a ideia fundamental, que me ajuda enquanto mãe e enquanto pessoa, no meu dia-a-dia: cada um tem o seu tempo, e as coisas aconteceram de acordo com esse tempo.

 

É verdade, cada pessoa, cada família, tem os seus tempos, tem a sua própria dinâmica, como se fosse uma dança contemporânea, a principio pode ser estranha, mas no fim faz todo o sentido no compasso da música.

 

Estava a terminar a salada e mandei para a sala um “Todos para a mesa!”. Voltei imediatamente a ter 7 anos, de carrapito no cabelo e boneca na mão. A minha mãe a dar as coordenadas para a nossa dança desestruturada, eu a correr para lavar as mãos, a ocupar o meu lugar na mesa da sala, sempre o mesmo. O buliço ainda ia começar, assim que se tirasse a tampa ao tacho.

 

Net Zero…ou perto disso….

Nunca fui uma internet junkie. Sempre vivi muito alheia ao mundo digital e ainda hoje sou uma verdadeira naba em tudo o que são tecnologias. Aliás, fui das últimas pessoas do meu grupo mais próximo a ceder às maravilhas de um smartphone. Ainda assim, quando o comprei, fi-lo de contra vontade, porque não havia muita oferta de telemóveis “normais” e porque assim sempre podia tirar umas fotos melhores.

Mesmo comprando um smartphone, na altura que o comprei e com as funcionalidades máximas que aceitei, já era o que se podia chamar um stupidphone. O básico do básico.

 

Sempre gostei da vida vivida e fazia-me confusão aquela coisa das pessoas andarem sempre com um telefone do tamanho de um tablet, sempre agarradas ao ecrã, mais parecia que tinham uma vida paralela lá dentro.

 

Gosto de vida de faz de conta, mas em filmes, em bons livros. O cheiro das páginas, o folhear do papel.

 

Abri conta no Facebook em 2014 depois de uma conversa com uns primos do Algarve, que era bom para seguir algumas lojas com coisas para crianças e saber sempre que novidades havia, que podíamos mandar umas fotos para eles e larailailai. Abri uma conta sem fotos e tudo aquilo me pareceu estranho. Fazia-me confusão – e para dizer a verdade ainda me faz alguma – aquela coisa de pôr fotografias minhas a fazer não sei quê, com não sei quem, a ir para não sei onde. Que raio é que isto há de interessar às pessoas e porque motivo hão de gostar de saber que eu acabei de comer uma posta de bacalhau à lagareiro, e que que só se resolveu o assunto com 2 pastilhas efervescentes de ENO no bucho? Parece-me tolo.

Ainda hoje, se de vez em quando o faço – o que não acontece vai para cima de uma porrada de tempo – sinto-me esquisita, para dizer a verdade, meio aparvalhada, porque raio estou eu a mostrar coisas sem importância às pessoas, que raio é que esta trivialidade lhes interessa. O que comi, eu a rir ao lado de uma pedra, eu num passeio em família. Já agora eu nas mercearias, eu a lavar o chão lá de casa, eu a cortar as unhas. Porque não? Porque é meio esquisito…ou pelo menos às vezes parece. Não sei, porventura coisas desta minha tola que pensa demasiado em tudo.

(não é uma critica, també o faço...só que, sinto-me meio totó 25 segundos depois de clicar e "publicar")

 

Depois de ter aberto conta no Facebook, mal liguei aquilo. É claro que achei graça ao facto de encontrar alguns amigos de escola, para logo a seguir me arrepender por lhes ter mandado um pedido de amizade. Porque raio me havia de interessar saber da vida de alguém que não fazia parte da minha há mais de 15 anos? É estranho. Se nos tivéssemos feito falta uns aos outros teríamos certamente encontrado forma de nos irmos vendo.

 

Até ao inicio de 2015 a minha ligação com a internet era escassa e revolvia entre 2 coisas: ler primeiras páginas de livros na Amazon (há coisas bem giras publicadas diretamente pelos autores; e escrever no blog que tinha criado quando fiquei de baixa em casa.

Até ao inicio de 2015 visitava a minha conta de Facebook uma vez por mês. Se tanto.

 

Depois o pequeno nasceu e, quando estava sozinha em casa só com ele, quando ele estava a mamar, era uma seca estar ali, a olhar para a parede. Sim, porque eu gostava de estar o tempo todo do lado mais solarengo da casa, onde eu não tenho TV e, ao fim das primeiras 50 mamadas uma mãe também já precisa de se distrair. Foi aí que, pela primeira vez, o smartphone teve utilidade. Conseguia estar na net, a ocupar a minha cabeça, enquanto o bebé mamava.

Foi nessa altura que me fui habituando a ir ao Facebook, via o mural e ria-me com algumas coisas que se publicavam, ainda era demasiado inocente e estava excessivamente desesperada por entreter a minha cabeça, para encontrar a parte mais chata que hoje vejo.

Aos poucos foi-se tornando num vício.

 

Em 2016 criei um novo blog e a esse associei uma conta de Facebook com o objetivo de divulgar os posts escritos, ainda no mesmo ano, apesar de nada perceber da poda, abri uma conta no Instagram.

 

O que a principio era apenas para o blog, transformou-se num espaço de entretém e de escape. O olhar para o telemóvel com frequência – sem ser doentio, felizmente não entrei nesse campo – para ver qualquer coisa de diferente e evadir-me dos problemas, miudezas, tarefas e afins do dia a dia.

 

Comecei a achar que me ocupa demasiado tempo. Que estou na net mais tempo do que aquilo que acho saudável. Que vou demasiadas vezes ao telemóvel. Que funciona quase como um tique, quando pego no telemóvel e é uma espécie de ops!, já que aqui estou dou uma espreitadela! É claro que há momentos em que dá jeito, como quando estou no elevador. Mas é uma coisa mais incisiva do que isso. É uma distração.

 

Pareceu-me que tenho de fazer com a net o que fiz com o tabaco. Quando decidi que ia deixar de fumar impus-me uma redução significativa de cigarros ao dia. Não quis deixar logo porque era uma coisa que me dava prazer, um cigarro depois de almoço, com um cafezinho, era um momento prazeroso para mim. Por isso mantive-o.

 

Hoje não fumo de todo.

 

Com a net não pretendo isso. Não me imagino a viver fora da rede. Mas quero que os momentos em que estou dentro da rede sejam cada vez mais escassos, quase agendados ao longo do dia, mais ou menos como se faz com as crianças, estipular um período para “brincar” e dedicar mais a mente ao mundo real, a fazer coisas, em vez de absorver.

 

Talvez tenha sido de forma muito radical, mas decidi começar por tirar as apps do telemóvel.

 

Facebook? Gone!

Instagram? Gone!

 

É a forma de acesso direto e rápido mais premente que tenho. Por isso tirei.

 

Estipulei horas para ir à net.

 

Na minha pausa para almoço. A meio da tarde quando faço uma pausa para lanchar.

 

Ao fim de semana pode ser de manhã, se acordar antes do pequeno. Se possível durante a sesta. E não mais.

 

Tenho um miúdo pequeno e não quero que me veja sempre agarrada ao telemóvel ou ao computador. Acredito na educação pelo exemplo. E não gosto que ele me veja sempre com o telemóvel a fazer scroll para cima e para baixo.

 

No fim disto tudo espero ganhar mais tempo para mim. Espero um maior aproveitamento do meu tempo. Espero que me seja possível ver com olhos de ver (como diria o meu rico paizinho, que tem as melhores frases de sempre) que o que se passa na minha vida – por mais pequeno que seja - é de longe mais interessante do que qualquer coisa que outra pessoa no outro lado do mundo acabou de publicar.

 

Para já este é o primeiro dia e, há momentos em que me sinto para cima de confiante e há outros que, tal como aconteceu com o tabaco, me apetece encher a cara de chocolates e gomas para suprimir o vício.