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Blog Bestialmente Conhecido

Tudo se resolvia com um pires de iscas

Meti-me nisto de reescrever as peripécias da vida de alguém assim de forma "sem querer". Estava sozinha - o que não é habitual na minha vida - estava com saudades e com uma profunda necessidade de entreter a minha cabeça. 

Foi aí que nasceu este texto.

Depois, arriscando colocar em causa uma amizade blogosferica escrevi este.

Tive a bênção. Fiquei mais descansada.

 

Hoje o texto da verdade envolve uma das pessoas mais queridas de todos os portugueses, o Sr. Ludovino e envolve o Pedro, que é médico.

O dia em que o Pedro conheceu o Sr. Ludovino.

Aqui é onde para mim a porca pode torcer o rabo. Sou hipocondriaca assumida e a última coisa que devia fazer era arranjar sarilhos com um médico. Porque me arrisco a um dia ir ao hospital onde o Pedro trabalha e:

Assistente: Temos aqui a sua próxima paciente Dr., posso mandar entrar?

(Pedro pega na ficha cliente, esbugalha os olhos ao ver o nome)

Pedro - Não. Mande para o piso 9.

Assistente - Piso 9 Dr.? Mas essa é a ala de psiquiatria.

Pedro - Exatamente. O problema desta senhora não são os rins, é tola. Tola chanfrada.

 

Posto isto tive umas dicas da Mossad Alcoviteira sobre o que aconteceu ontem na casa do Sr. Ludovino. Para quem queira saber aqui fica.

 

 

Pedro entra em casa do Sr. Ludovino, não sabe bem ao que vai e nem imagina o que pode acontecer. Depois do Vasco e dos coentros não pode haver mais surpresas na vida desta mulher.

 

Sr. Ludovino - Então Dr. é médico de quê?

Pedro - Especialidade em problemas de rins.

Sr. Ludovino - Isso é uma área com saída? Veja lá que não quero que a Joana arranje um homem que tenha de ser ela a sustentar...

Pedro - Sim. Tem bastante saída.

Sr. Ludovino - Tem a sua caixa de ferramentas consigo?

(Pedro com dúvidas)

Pedro - Não...devia?!

(porque raio havia o homem de querer que ele concertasse alguma coisa)

Sr. Ludovino - Um médico decente tem sempre consigo a sua mala preta com as poções lá dentro. Já não se fazem médicos como no meu tempo. O que é que o fez seguir cardiologia?

Pedro - Eu não sou cardiologista. A minha especialidade são rins.

Sr. Ludovino - Rins? Nunca ouvi falar de um médico de rins. Tirou o curso numa Universidade privada ou pública?

Pedro - Pública. Não há medicina no privado.

Sr. Ludovino - Não sei se é assim. Tenho o filho de um amigo que tirou veterinária numa privada.

(Outro! Pensou o Pedro)

Pedro - É diferente. Eu sou médico.

Sr. Ludovino - É profissional de saúde. Tudo a mesma coisa.

(Pedro desiste)

Sr. Ludovino - Olhe tenho andado aqui com uma dor na lombar. Pode dar uma vista de olhos.

Pedro - Posso. Mas não tenho instrumentos para fazer uma boa avaliação...

Sr. Ludovino - Que raio de ortopedista é você. Não consegue olhar para as costas de um homem e ver se estão direitas?

Pedro - Sou uma espécie de ortopedista que avalia rins.

Sr. Ludovino - Estou a começar a estranhar a sua formação. Como conheceu a Joana?

Pedro - No hospital.

Sr. Ludovino - A JOANA ESTEVE DOENTE?

Pedro - Não. Foi um contratempo com a pequena Alice, mas não foi nada.

Sr. Ludovino - O que é que o fez seguir Pediatria?

Pedro - Mas eu não sou pediatra. Eu trato de rins.

Sr. Ludovino - Você é um tipo confuso. Ainda agora disse que tinha tratado da bebé, agora já não é pediatra. Faz-me lembrar o meu amigo Américo que tem aquela doença alemã.

Pedro - Eu não tenho Alzheimer. Eu sou e sempre fui médico dos rins.

(Sr. Ludovino perscruta o Pedro)

Sr. Ludovino - Quantas namoradas teve Pedro?

Pedro - Não percebo a relevância para essa questão.

Sr. Ludovino - Sabe que a Joana é uma menina. Uma princesa. Teve apenas um namorado em toda a vida, o Gonçalo, era cirurgião. Um médico a sério. Nada disso de ser estomatologista.

Pedro - Eu sou médico dos rins.

Sr. Ludovino - Por acaso o Américo teve uma vez uma pedra nos rins.

Pedro - É um problema complicado...

Sr. Ludovino - Já teve?

Pedro - Não.

Sr. Ludovino - Então sabe lá! O que é que você percebe de rins? O mesmo que eu: nada. Mas ainda não me disse quantas namoradas teve...

Pedro - Não me parece que seja importante.

Sr. Ludovino - A Joana só teve um namorado, o Carlos. Era arquiteto. Um rapaz em condições. Desenhou a ponte Vasco da Gama. Foi assim que ela deu o nome ao cão, em homenagem à obra do Carlos. Não era um...podologista...

Pedro - Eu não sou....deixe estar...

(Pedro começa a desistir)

Sr. Ludovino - Gosta da Carmen?

Pedro - Carmen? Não conheço.

Sr. Ludovino - Ainda não conheceu a gata?

(Carlos ??? Carmen??? Estava por tudo)

Pedro - A Julieta?

Sr. Ludovino - Isso.

(Pedro parou para pensar. A última vez que lhe tinham feito a pergunta não correu da melhor forma e este interlocutor era mais difícil que o Vasco. Aqui não se safava com frango. Arrisca numa abordagem diferente)

Pedro - Sou alérgico.

Sr. Ludovino - A GATOS? Que raio de homem é você que é alérgico a gatos? Que é que vão fazer à Íris? Não vai convencer a Joana a abandonar a gata?! Já sofreu muito. Fui eu que a achei e dei à Joana.

(Pedro encontra solução)

Pedro - Ahhha gata. Desculpe. Fiz confusão com o coelho. Adoro a gata. A Julieta é linda.

Sr. Ludovino - Quem é a Julieta?

Pedro - A gata...

Sr. Ludovino - Não sabia que a Joana já tinha duas gatas...

(Já se fazia tarde e o Pedro estava morto de fome e....completamente desesperado)

Pedro - Sr. Ludovino peço desculpa mas estou cheio de fome e a Joana está à minha espera.

Sr. Ludovino - Quer jantar connosco? A minha esposa faz umas iscas excelentes. São ótimas para o fígado, a sua especialidade.

Pedro - Obrigado...mas eu estou um pouco cansado. Se não se importa vamos andando.

(O Pedro aparenta estar um pouco prostrado. Chegam ao apartamento da Joana que já estava a beber chá de valeriana e meio descabelada. Sr. Ludovino entrega o Pedro que se senta no sofá a olhar a parede vazia. Sr. Ludovido aproveita para falar com a Joana)

Joana - O que é que se passou Sr. Ludovino, tanto tempo?

Sr. Ludovino - Onde é que conheceste este rapaz?

Joana - No hospital, é médico.

Sr. Ludovino - Mas é de clínica geral?

Joana - Não, é de rins.

Sr. Ludovino - Então porque raio falou de tanta coisa, pulmões, coração, fígado, o homem não se concentra numa área. Devias ter arranjado um cirurgião.

Joana - O Pedro é um homem fantástico.

Sr. Ludovino - Dizes tu que não sabes avaliar as vantagens de um oleado.

Joana - (suspiro)

Sr. Ludovino - Olha lá, sabes se ele faz exames à próstata?

Joana - Não faço ideia. Porquê?

Sr. Ludovino - Eu não confio nessa gente.

Joana - Salvam muitos homens.

Sr. Ludovino - Salvam a saúde mas arruínam o orgulho. Pergunta-lhe Joana, pergunta e fica a saber bem disso, se ele disser que sim abandona-o à beira da estrada e nem olhes para trás.

Joana - Vou indagar isso, agora acho que vou preparar alguma coisa para o jantar, já são horas.

Sr. Ludovino - Ofereci-lhe iscas, já que ele tem especialidade em fígado e tudo mais, mas ele não quis. Olha, ele não vai dormir cá em casa por não?

Joana - Porquê?

Sr. Ludovino - Porque há coisas que se guardam para o casamento e já que vieste até aqui não as percas para um pneumologista.

Joana - Está bem Sr. Ludovino. Não me vou esquecer.

 

Sr. Ludovino chega a casa e diz para si mesmo:

- Parece-me que a coisa desta vez se dá, minha querida Joaninha, quem havia de imaginar que arranjava um oftalmologista.

 

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