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Blog Bestialmente Conhecido

Um dia vou morar numa vivenda

Onde não haja estardalhaço no andar de cima. Com o puto andar de trotinete ou lá o que é. Com portas a bater e humidade a passar, que me inegresse o teto da cozinha.

Onde não haja um tipo de barbicha ao lado que ouve o despacito numa gritaria insurdecedora, porque está a aspirar e não quer falhar o refrão. Ele canta o despacito e eu grito despacha-te-a-ouvir-isso.

Um dia vou morar num espaço sem vizinhança de paredes.

Nem em cima, nem em baixo, nem ao lado. Ar por todas as frentes. Tipo uma tenda, vai na volta.

Um sítio, onde não há um tipo no andar de baixo a falar moldavo aos gritos sempre que liga para a terra. É muito boa pessoa, simpático, bem disposto, mas valha-me Deus! o homem parece o meu pai, ainda não percebeu que as ondas de som chegam pelo aparelho e não numa especie de ondas de fumo sonoras, daqui lá para a terrinha. Às vezes parece que está a gritar para a terra da janela em vez de ter rede no telemóvel. Tão alto que me faz ter duvidas se o som vem de baixo ou de cima.

Uma casinha (assim inha porque sei que sou uma tesa e dificilmente vou arranjar uma ona (de casarona)) onde não haja uma chica-esperta no primeiro andar. Que se o prédio tivesse elevador eu ainda podia evitar o convivio, mas como subo escadas todos os dias lhe passo à porta. Dela e da luluzinha que passeia alegre e meio agitada.

Sabe sempre tudo, tem opiniões para dar e vender. Tão boas que nem dadas as quero, quanto mais pagar por elas.

Um dia vou morar num espaço com uma casa ao meio e terreno verde em volta, depois um muro e mais alguma distância para as outras casas. Numa especie de detox do ser humano. Gosto muuuuito de pessoas, mas ás vezes a distância ajuda a fazer uma especie de limpeza espiritual que é fundamental para a relação entre-vizinhança.

Um dia, quando morar numa vivenda já não vou ter de aturar reuniões e condominio (um dos maiores flagelos da minha vida - tenho de fazer 3 sessões de terapia para me preparar para esta guerra), onde toda a geste lasca postas de pescada só para não estar calada. Porque não dizer nada é não ter opinião e a malta acha sempre alguma coisa sobre as coisas todas. Tipo falar de assuntos, sobre temas e resolver situações sobre acontecimentos. Tudo do mais pragmático e demorado possivel.

Um dia que me mude posso agendar uma reunião anual com o maridão. Estamos às 20 à porta de casa, eu com um caderno e uma lista de coisas de bricolage que ele tem de tratar. Ele que sim, que vai garantir.

Nenhum de nós vai ficar a dever dinheiro ao condominio, até porque a renda é por débito bancário e não há fuga ao crédito habitação.

Um dia vai ser assim.

Bocês bão ber! Um se calhar não, mazeu conto.

 

 

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