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Blog Bestialmente Conhecido

Um roubo, no mínimo, sinistro

O meu pai tem um carro velho.

Um chaveco, um charuto, um boguinhas.

Uma carcaça com 22 anos que serve como meio de transporte para as voltinhas de ir ao supermercado ou para ir almoçar a casa de um filho.

Na 6ª feira foi às compras e, quando voltou a entrar o carro, o calhambeque não pegou. Falta de bateria.

Teve de chamar a assistência em viagem e levar o carro para o mecânico. Nunca, em 50 anos de carta, tinha chamado a assistência em viagem. 

Podia ter levado o carro para a marca. Podia ter levado o carro para qualquer uma das oficinas de marcas de grandes grupos. Mas decidiu ir a um mecânico a quem ia de vez em quando. "Porque estes coitados também precisam de trabalhar", "Porque se toda a gente for aos "grandes" esta gente perde os negócios", "porque temos de contribuir para o pequeno comerciante" e tal e coiso e coiso e tal.

Pagou a bateria mais cara do que devia (sei disso porque o meu sogro comprou uma há poucos dias, para um carro de marca mais cara e cilindrada mais alta e pagou a mesma coisa ou menos) e teve uma surpresa no dia seguinte.

 

Sábado preparou-se para ir almoçar a casa do meu irmão. Desceu as escadas com o saco de lixo, caminhou 200 metros para o despejar, passou pela loja da minha prima para a cumprimentar e, de caminho para o carro encontrou outra vizinha que estava com problemas com o carro.

Com a ajuda da minha prima empurraram o carro pela rua abaixo de maneira a que pegasse e a senhora pudesse fazer caminho para o mecânico.

Satisfeito por ter ajudado foi para o carro dele.

Mete a mão à porta e percebe que o carro estava aberto. Insultou-se a si próprio duas ou três vezes por ter deixado o carro aberto e depois sentiu-se satisfeito, porque afinal de contas até vive numa rua tranquila e mesmo com o carro aberto ninguém mexeu em nada.

Sentou-se, acendeu o cigarro, meteu a chave na ignição e tentou ligar o carro.

Nada.

O carro não pegava.

Depois de algum vernáculo incisivo saiu do carro.

"Filho da puta do chaço que me avaria todos os dias, ainda ontem foi a bateria, hoje queres o quê?"

Conforme caminhava para a frente do carro percebeu que o capot está aberto.

Quando o levanta, chanããã!!!!

Tinham roubado a bateria nova.

 

Ligou para o meu irmão. Contou-lhe o que tinha acontecido. Passaram juntos no mecânico, era importante perceber se alguém tinha lá ido tentar vender uma bateria.

O mecânico que não. O que era comum era aparecerem pessoas a comprar baterias porque as dos carros delas tinham sido roubadas.

O meu irmão explicou que se iria então apresentar queixa, que era uma situação, digamos que, sinistra, to say the least.

De maneira que é isto, uma coincidência estranha, mas mesmo estranha como o raio.

Porventura alguém que estava ali "à coca" para seguir as pessoas que compravam baterias novas e depois, durante a noite, ir lá fanar a dita.

Porventura um azar daqueles, porque mais nenhuma bateria da rua foi roubada, e o que sei é que naquela rua, à noite, ficam estacionados para cima de 50 carros.

Ele há coisas do arco da velha.

 

E o meu velhote está desde já avisado: doravante quaisquer compras são feitas na Norauto ou suas semelhantes. Ponto final parágrafo.

 

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