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Blog Bestialmente Conhecido

Uma tarde, quatro filmes

Antes de ter filhos conseguia estar sempre em cima dos últimos filmes a sair. Ia mais vezes ao cinema e passava as tardes chuvosas em casa a ver tudo o que aparecia de novo para alugar e a comer pipocas. Sim, aquela coisa da caneca de chocolate quente fica bem nas fotografias e na idealização de cenário patético-romântico, mas na vida real uma pessoa quer terrincar.

(aceitam-se também gomas ou Estrelitas na ausência de pipocas)

Hoje em dia tudo isto é mais difícil, com sorte, durante uma das sestas do fim de semana lá nos conseguimos espojar no sofá a ver um filme, tendo em atenção que tudo o que tem mais de 120 minutos provavelmente terá de ser visto em prestações.

Ah, mas podem sempre ver o filme ao final do dia?

Podemos, pessoas-sem-filhos-que-não-sabem-nada-disto ou pessoas-que-já-têm-filhos-teenagers, mas ao final do dia acabamos por "desmaiar" em cima da cama e não há filmes para ninguém.

Por isso, motivados por um imenso cansaço e depois de comprar um brinquedo para atenuar o nosso sentimento de culpa, enviámos o rebento para os avós por dia e meio. 

Objetivo: comprar algumas coisas em falta sem que um de nós ande a correr atrás dele entre as lojas; e descansar. Estar refastelados no sofá a fazer nada. Apenas isso.

Ah a beleza do ócio.

De manhã tratámos da primeira parte, de tarde vestimos os fatos de treino, calçámos as peúgas brancas de raquete, eu abracei-me a dois pacotes de pipocas de supermercado e sentámo-nos para ver um filme. Depois decidimos ver outro. Chovia que se fartava lá fora e como não havia ainda fome...vimos mais um. Jantámos fruta e biscoitos. Vimos mais um filme.

Matei saudades destas tardes de sofá que normalmente me dão aquele sentimento de que gastei uma demasiado tempo da minha vida com nada e que sou uma inútil. Um sentimento que hoje categorizo de maravilhoso. É como um diamante, vale mais porque é raro.

E que filmes vimos?

Ora é mesmo disso que vou falar.

Filme 1: "Fences" ou em tuga "Vedações" (aqui está uma tradução em que era difícil fazer cagada)

 

 

Com origem numa peça de teatro interpretada mais de 100 vezes pelo mesmo ator principal - Denzel Washington. Um interpretação brilhante deste ultimo e uma não pior da Viola Davis.

Um filme "parado", presumo que em resultado da adaptação de teatro. A história vive sobretudo das interações entre os personagens, parecendo dessa forma ser algo mais estagnado.

Gostei bastante.

 

Filme 2: "American Pastoral" ou em tuga "Uma história Americana"

 

 

Seymour Levov e Dawn Levov são alvo das invejas e expectativas de toda uma cidade. Ele era o atleta perfeito, filho de um grande empresário, bonito. Ela a menina que se fez miss. A princesa. Casam-se e têm uma filha. Uma menina diferente, que se preocupa com os temas mais profundos da condição humana, pouco criança e demasiado complexa para a idade. Menos bela que a mãe, menos bem sucedida que o pai, enfrenta a gaguez extrema desde pequena.

Torna-se revolucionária, debate-se politicamente e traz a guerra para a sua cidade.

Acaba por desaparecer. O pai desespera por encontra-la. A mãe encontra formas para ultrapassar a perda da filha que não consegue encontrar, quer começar do zero.

Tudo acaba de forma diferente do esperado.

Não adorei, mas gostei bastante.

 

Filme 3: "Bleed for this" ou em tuga "Sangue pela vitória"

 

 

Baseado numa história verifica, conta a história do pugilista Vinny Pazienza que após um acidente de viação fratura uma vértebra crucial no pescoço. Os médicos dizem que mal conseguirá voltar a andar, ele acredita que vai voltar a combater.

E é isso mesmo que acontece. O fim do filme não é uma novidade, não fosse um retrato de uma pessoa real. A forma como as coisas acontecem é bastante interessante.

Uma história de perseverança e sorte. Há sempre sorte ao barulho.

 

Filme 4: "Infinitly polar bear" e em tuga "Pai bipolar"

 

 

Adorei este filme. Tinha-o gravado há mais de 6 meses e andei sempre a adiar ver. Uma pena, porque o filme é espetacular.

Cam Stuart é maniaco-depressivo, uma condição que lhe foi diagnosticada desde cedo, quando ainda era estudante em Harvard. Maggie Stuart apaixonou-se por ele, estávamos nos anos 60 e como ela própria dizia, naquela altura toda a gente parecia meio descompensada, por isso, não se sabendo muito de bipolaridades, pareceu-lhe algo tolerável. Tiveram duas filhas e as crises voltaram. Ela acabou internado, ela a cuidar das filhas. Uma mulher negra numa sociedade preconceituosa para com os negros, para com as mulheres e para com mães solteiras.

O amor que têm pelas filhas e um pelo outro permitiu que, dentro do caos, encontrassem uma solução para criar as miúdas e ter uma vida melhor.

Um filme delicioso sobre a vida.