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Blog Bestialmente Conhecido

Vou contar-vos a história da minha primeira vez

Tinha 23 anos acabadinhos de fazer. Era moça, espevitada e não dizia não a um desafio.

O departamento onde trabalhava tinha passado por uma reestruturação, tinha uma chefa nova e a empresa, como estava a crescer, andava num buliço.

Fui chamada a falar com a big boss:

- Precisamos de uma pessoa com conhecimentos de tal-e-coisa para ir passar dois dias no Porto.

- OK.

- Queres ir?

- Quero.

(nunca tinha ido ao Porto, era uma primeira e ainda por cima era com tudo pago, perfeito)

- Vais de avião. Pode ser?

- Pode.

E assim ficou combinado, daí por duas semanas lá ia eu p'á terra dos lampiões, cuaraigo!

 

Ia haver um seminário dessa área e procuravam alguma pessoa que pudesse dar ajuda a outra colega, tinha que ser alguém com formação no tema e alguma experiência. Lembraram-se de mim, e eu, afinfei-me ao passeio.

 

No dia lá fui de mala às costas para o aeroporto da Portela, tudo me fazia lembrar o primeiro filme do Man in Black e nem era preciso aparecer aquele alien de 2 metros todo azul. Havia variedade suficiente. Faço o check in da mala - tal como se vê nos filmes - passo pelos detetores de metais. A senhora a dizer que eu podia passar com mais isto e mais aquilo, mas eu, que sou uma mulher de rigor, fiz questão de tirar tudo o que era metal, menos o chumbo que tinha no 3º incisivo esquerdo do maxilar inferior.

Chego à porta de embarque, mandam-nos passar e eu a estranhar a falta do pássaro. Onde raio estava o boing com destino ao Puorto cuaraigo!? Adonde?

Aparece um autocarro.

Autocarro, mas qu'ésta merda!? Atão mas eu venho pa ir d'abiõn e agora aparecem-me com um autocarro da Carris? Tá tudo tuolo ou quiê!?

Lá fui eu no autocarro a estranhar o que se estava a passar. Ocorreu-me que pudéssemos estar a ser sequestrados por talibãs para nos enfiarem num jato privado e arrebentarem connosco n'abenida dos aliados. 

Chegamos a um passarito e eu, de bilhete ainda na mão, olho em volta, vou ter com uma senhora da TAP e digo-lhe:

- Olhe, eu vou para o Porto, onde está o meu avião?

- Aqui mesmo, pode entrar.

- Aqui?

Mas que me...

Sentei-me. Não havia Boing nenhum, não havia executiva, não havia primeira classe, havia uma de um autocarro com asas.

Sim sinhor!!

Lá o pássaro se põe a caminho. A assistente de bordo pergunta se eu quero alguma coisa:

- Quero tudo aquilo que está incluído na minha viagem.

- Gelado então.

- Venha ele.

Comi dois sabores.

Cheguei ao destino tão mal do estômago que estava capaz de me grumitar toda. O gelado parou-me a digestão ou coisa que o valha.

No dia seguinte estava pior que o lobo mau quando lhe tiraram a velhota do bandulho e mandaram pedras lá para dentro, nem com Alka-Seltzer isto se revolvia. Mas, mulher decidida que bai ao Puorto, é mulher que bai malhar um Frâncesinha!!! E malhei!

Bandulho abaixo, capaz de me grumitar toda.

Ainda me lembro do momento em que saí do restaurante e senti as tripas a ganir, meu Deus! Balha-me Nosso Sinhor!

 

Voltei capaz de comer uma canja, tinha um casamento no dia a seguir. Fui e só comi grelhados, um sacrilégio.

 

E foi assim, a história da primeira vez que andei d'abiõn, pensaba que era uma águia balente, ali em primeira classe, e depois foi-se a ber e fui numa gaibota da Carris.

 

Porquiê esta cumbersa tuoda?

Porque bim a Bila Noba de Gáíía por conta e risco ao fim de quase 4 anos. Bim a trabailho, não bou andar a passear, não me bou debater c'uma frãncesinha, porque estou para lá de beilha. Mas bim de Intercidades, o que para mim também é uma nobidade. É que de Alfa o colega grumita-se todo e eu não queria que ele me borrasse a roupa fina. Fez-se bem a biagem e agora estou a choramingar gozar o silêncio de um quarto de hotél só para mim.

 

(já não sei viver em silêncio e sem mil tarefas em simultâneo, parece que o tempo fica parado, faltam sempre os cães para passear, o miúdo para dar jantar, o miúdo para dar banho, o andar a correr atrás dele para não me arrebantar com a casa, falta a minha azafama, rai's ma parta, que uma pessoa tem de se estar sempre a queixar)

 

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