Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blog Bestialmente Conhecido

Yoga para desobstruir a mente

Em 2012 e 2013 passei por momentos muito complicados. Os meus níveis de stress estiveram ao rubro e a minha cabeça começou a dar sinal de cansaço e de entrega a um sistema nervoso em frangalhos.

Tinha de encontrar uma solução.

Lembrei-me que podia ser uma boa ideia ter aulas de yoga, tinha lido bastante sobre a meditação no livro “Comer, orar e amar” que me pareceu que, apesar de toda a componente romantizada da coisa, poderia resultar. Começou a minha busca. Queria yoga para a mente, essencialmente para a mente, para relaxar, para aprender a tirar a cabeça do ciclo vicioso e depressivo dos problemas (não, não estive em depressão, mas quando temos a cabeça sempre enfiada nos problemas, como a avestruz tem a cabeça na terra, é frequente que fiquemos mais tristes, mais cabisbaixos, com mais dificuldade em ver a imagem num todo e consequentemente a conseguir encontrar soluções.) Quando fico assim a ansiedade parece consumir-me e esse estado agitado impede-me de pensar com clareza, é como se fosse uma espécie de ancora ao pensamento.

Tive alguma dificuldade a encontrar as aulas que queria. Muitos espaços que oferecem aulas de yoga oferecem a componente física, os benefícios para tonificar o corpo. A mente não está assim muito envolvida. O ambiente não é o ideal, prova disso são as salas com luzes fortes e barulhos ensurdecedores de aulas de spinning. É impossível relaxar a mente.

Encontrei a Federação Portuguesa de Yoga. Muitos espaços em Lisboa para ter aulas, mas eu precisava de uma coisa perto de casa, de relaxar e depois seguir para o refastelamento do lar sem passar por 30 quilómetros de trânsito.

Foi aí, e depois de muito procurar, que encontrei a minha professora de yoga. Formada pela Federação Portuguesa de Yoga, dá aulas num espaço cedido, organizado pela própria, mas, ainda não conseguiu financeiramente ter a disponibilidade para abrir um espaço seu.

Mandei-lhe um e-mail, queria aulas duas vezes por semana. Havia vaga para uma vez por semana. Agarrei o que havia.

 

Comecei a fazer yoga 1 vez por semana às quintas-feiras.

 

Ao fim de pouco mais de 1 mês já estava a sentir-me melhor. Os meus problemas não tinham desaparecido, mas eu tinha 1 hora por semana num espaço onde tinha de obrigar a minha cabeça a não pensar neles. No yoga aprendi estratégias para desviar a atenção da minha cabeça para outras coisas em vez de estar focada nos problemas, como um cão danado atrás de um gato que já subiu à árvore e agora lambe as patas, sorri, snob, com ar de quem pergunta “e agora como é que fazes meu?!”.

Quando fico ansiosa fico assim, o problema é o gato, já subiu à árvore e eu estou cá em baixo, a ladrar-lhe, a oferecer-lhe umas dentadas, mas, como só ladro e olho para ele, não paro para pensar que preciso de uma estratégia para o resolver. Quero-o cá em baixo e isso não vai acontecer com essa facilidade.

 

Tenho muitos defeitos e um deles talvez seja não ser capaz de desistir. Sou uma espécie de Muhammad Ali para a vida. As luvas sempre postas e os punhos erguidos. Posso já ter caído mil vezes. Posso estar a ver tudo a andar à roda. Posso estar a cambalear e incerta de onde está o meu adversário. Mas eu não baixo os punhos e eu continuo em pé, pronta para mais uma ronda, mesmo que seja agarrada às cordas.

 

Deixei o yoga quando fiquei grávida. Andava tremendamente cansada e não aguentava, depois de um dia de trabalho ainda ter aulas do que quer que fosse. O tempo tem passado e eu nunca mais voltei a fazer uma aula que fosse. Penso nisso e adio, constantemente.

 

Nos últimos dias tenho pensado muito no yoga e no quanto me fez bem. Tenho pensado nas saudades que tenho daquela sensação de leveza.

 

Decidi que tenho de voltar, mas antes disso tenho de impor alguma organização no meu dia a dia. Refazer agendas e reestruturar horários. Preciso de rotinas organizadas para me sentir mais calma.

 

Maio vai servir para isso e junho volto às asanas, a ver se entro nos 35 com o pé certo.